Sofrimento é Fácil
A Criação Acontece no Nível que Você Sente
Encontrei esse texto no começo da semana numa busca online que me fez pausar.
Achei muito relevante, porque com consciência, você fica livre pra escolher a sua experiência. Então decidi compartilhar isso com você hoje.
Uma Parábola de Sofrimento e Alegria
Um estudante foi até o mestre e perguntou: “Por que eu sofro o tempo todo?”
O mestre sorriu com gentileza e disse: “Porque sofrimento é fácil.”
Vendo a confusão do estudante, o mestre continuou:
Sofrimento não exige nenhum treinamento. A mente já sabe como se preocupar, comparar, cobiçar e temer sem ninguém ensinar.
—
Mas a alegria… a alegria é uma habilidade. Ela exige consciência. Ela exige escolher onde você coloca a sua atenção. Ela exige voltar — uma vez após a outra — à gratidão, à respiração, à presença, à verdade.
—
Qualquer um pode sofrer. A verdadeira pratica consiste em escolher a alegria, de novo e de novo.
Essa parábola tocou o meu coração…
Ela me fez refletir sobre a minha própria vida e perceber, mais uma vez, que sim — a prática é mesmo escolher a alegria, independente do que tá acontecendo ao redor.
Eu amo essa frase: “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.”
E eu acho importante definir ambos aqui.
A dor é sensação pura — física ou emocional. Ela tá ligada ao que acontece, e sim, moldada pelas nossas percepções, mas ela é sentida no corpo.
A dor é a experiência.
O sofrimento é o que a gente faz com o que acontece. É a resposta da mente à dor.
O problema começa quando a mente decide que a dor é um problema.
Quando a gente não consegue processá-la de verdade, a mente tenta suavizá-la com uma história… uma história que, se a gente se agarrar, a gente acaba carregando pra sempre ou muito mais tempo do que o necessário.
Mas a dor traz muitos presentes. Se for encontrada de cabeça, a dor amolece o coração. Ela abre a compaixão. Ela enraíza a presença. Ela fortalece a resiliência. Ela reconecta a gente com a verdade.
Ela nos torna mais humanos.
A dor nos traz de volta ao nosso centro.
Eu de verdade me considero uma pessoa feliz. E olhando pra trás, eu atribuo essa felicidade a uma coisa: à minha prática de estar com a dor
e, enquanto a processo, escolhendo a respiração a cada segundo.
Por que eu tô compartilhando isso aqui?
Porque na minha visão, construir um Negócio Sagrado é doloroso… mas é uma jornada extremamente alegre.
E eu de verdade acredito que isso só é possível se a gente conseguir sentar com a dor.
Esse caminho — o que o seu Negócio Sagrado te convida — exige que você se encontre com você mesmo.
Todas as dores que você evitou. Todas as histórias que você criou.
Ele exige o fim do sofrimento.
Ele te convida de volta à respiração.
Meu aborto espontâneo
Há mais de uma década, eu tive um aborto espontâneo.
Foi uma das experiências mais dolorosas da minha vida, não só fisicamente mas emocionalmente.
Eu lembro de estar no chuveiro, sangrando e chorando em desespero, sobrecarregada pela intensidade do que o meu corpo tava liberando. Vergonha, culpa, sentir que não conseguia, sentir que eu tava falhando… tudo chegou de uma vez.
Todo o meu corpo contraiu. Eu fui tomada pela dor.
E naquele momento, eu senti tudo isso.
Quando o sangramento parou, eu fui pro quarto e me enrolei numa posição fetal.
Vazia.
Quebrada.
E o luto veio… completamente. Eu escolhi sentir.
Cada pedaço dele, sem prender a respiração.
A minha mente tentou criar histórias que tornariam a dor mais fácil naquele momento… mas essas histórias teriam ficado comigo pra sempre.
Então eu não as escolhi.
Eu simplesmente senti o que eu tava sentindo. E por conta disso, eu recebi um presente.
É um presente que só pode ser experimentado do outro lado da dor.
O que a minha mente insistia que tava errado… que o bebê deveria ter sobrevivido, que eu tava tendo falha em algo… foi substituído pela graça do que aquele pequenininho ser de luz me ensinou.
Eu experimentei amor incondicional pelo invisível de uma forma que eu nunca tinha experimentado antes.
Eu não conseguia ver, sentir o cheiro nem tocar aquela vida, mas ela tava dentro de mim.
Eu conseguia sentir.
E eu conseguia amá-la profundamente.
Foi provavelmente um dos meus primeiros encontros verdadeiros com Deus.
Se eu tivesse escolhido o sofrimento, se eu tivesse rejeitado o que aconteceu, talvez esse encontro nunca tivesse existido.
Deus existe na unidade com o que é, não no julgamento do que deveria ter sido diferente.
A verdade por trás da parábola
A parábola revela algo essencial:
É mais fácil entrar na história. A mente foi treinada pra sobrevivência e separação. Ela tenta suavizar os sentimentos que contraem justificando-os. Ela tenta ajudar… e ironicamente, o sofrimento se torna o caminho mais fácil.
Mas quanto mais você alimenta o seu sofrimento, mais apegado você fica às suas histórias… e mais difícil fica entrar na coragem necessária pra criar algo significativo.
Todo o seu sistema tá tentando te proteger da dor, você vai encontrar toda a razão boa pra adiar o seu trabalho e essas razões vão parecer verdade.
Você só consegue criar no nível que você tá disposto a sentir.
Quando eu penso no meu aborto espontâneo agora, tudo que eu sinto é gratidão. Pode parecer estranho, mas a gratidão é tão profunda que ela na verdade sente como alegria.
E isso também é verdade pra muitas experiências dolorosas da minha vida.
Cada uma delas construiu essa felicidade que transborda dentro de mim… esse encontro profundo com algo maior do que eu.
Toda vez que a dor veio, eu recebi um presente. E no espaço entre as dores… eu me divirto.
Tem uma diferença enorme entre viver a sua vida evitando a dor e viver a sua vida buscando ou permitindo a expansão.
A felicidade não vem das coisas indo do seu jeito.
Ela vem de quantas vezes você se deixa encontrar a luz. E se você só encontra a luz quando a vida vai do seu jeito, a sua experiência fica muito pequena.
Encontrando essa luz uma vez após a outra, ela se torna o seu guia.
Quando você para de escolher o sofrimento você começa a escolher a alegria e tudo muda.
Com amor,
Carolina




Que partilha incrível! Obrigada!