Não é o Estresse — É o Sistema Nervoso
Quando o corpo não se sente seguro, ele troca seus sonhos por controle.
Há uns meses, estava no lounge do aeroporto de Guarulhos esperando meu voo para Cusco, comendo uns snacks às 2 da manhã e observando o que acontecia ao meu redor.
Tinha um problema no piso bem na frente da área de self-service. Tinham colocado fitas e placas de sinalização para proteger o trecho recém-reformado.
Não sei exatamente o que aconteceu, mas alguém — acho que um funcionário — derrubou alguma coisa e estragou tudo.
Tinham quatro pessoas em volta da bagunça: um homem limpando o chão quando dois homens mais bem vestidos se aproximaram da cena.
Um deles estava furioso.
Nossa, ele estava nervoso. Andava rápido, e eu quase conseguia ouvir as pisadas.
Ele não estava de frente pra mim, mas de longe eu ouvia os suspiros — “Gente do céu, isso é inaceitável…”
Virou as costas, bateu com força na porta de serviço ao lado do buffet e entrou em outra sala. Voltou balançando a cabeça, com aquela expressão de não acredito que isso está acontecendo.
Na hora, me lembrei dos tempos em que trabalhei como gerente de restaurante num resort aqui no Brasil.
Eu era um nó de estresse naquela época. Tinha muita pressão sobre os meus ombros — mas todo mundo tem, cada um do seu jeito.
A questão é como a gente lida com isso.
Pequenas coisas tomavam um espaço enorme na minha cabeça. Me irritava fácil, preocupado demais com coisas fora do meu controle.
Nessa época, fui parar no hospital duas vezes no mesmo ano com crises de enxaqueca.
Antes de sair do hotel, o dono me ofereceu um cargo estratégico. Eu já tinha planos de me mudar para o Canadá, mas lembro claramente de pensar: não quero mais estresse do que já tenho. A ideia de uma promoção me parecia muito pesada.
Eu não tinha essa consciência na época, mas essa é uma percepção poderosa: a gente bloqueia o sucesso e a expansão de acordo com o nível de regulação do nosso sistema nervoso.
Se onde eu estava já parecia extremamente estressante e doloroso — e eu era muito jovem e já tinha ido ao hospital duas vezes — o que seria de mim com mais responsabilidade?
O que eu não sabia naquela época é que o estresse que eu tentava evitar não estava fora de mim.
Eu provavelmente poderia ter tido um trabalho mais tranquilo e ainda assim me sentido estressado.
Isso é muito profundo.
Quando a gente percebe isso pra si mesmo, consegue quebrar as caixas que nos mantêm pequenos.
Sua mente, seu sistema nervoso, está tentando te proteger — porque, por alguma razão, através de experiências e percepções passadas, você concluiu que a vida é difícil, ou que mais responsabilidade é igual a mais estresse, ou até que mais dinheiro é igual a mais estresse.
O sucesso parece estressante porque você não quer se parecer com as pessoas “bem-sucedidas” que você observou por aí.
Mas não esqueça: não é o que está lá fora. É a sua percepção.
O que te causa estresse não é estressante em si — é a forma como você lida com isso.
Então você não precisa se fazer menor ou sonhar pequeno para evitar estresse. Se o seu sistema nervoso está desregulado, mesmo um negócio pequeno e o que você enxerga como uma “vida simples” ainda vão parecer estressantes.
Essa tendência de controlar tudo, de acreditar que a vida precisa seguir um certo caminho para você relaxar, que uma vida mais simples e com menos desejos vai finalmente trazer paz — é uma ilusão.
A paz que você quer sentir só está disponível agora, e não depende das suas circunstâncias, mesmo que elas pareçam estressantes.
Quando o corpo não se sente seguro, ele não sonha — ele se defende.
É por isso que a gente pensa demais, hesita, ou diminui oportunidades que poderiam nos expandir. Ficar pequeno é só a forma do sistema nervoso dizer: “ainda não me sinto seguro o suficiente para sustentar mais.”
Como Michael Singer escreve em A entrega incondicional:
“Cada um de nós acredita que as coisas deveriam ser do jeito que queremos, em vez de serem o resultado natural de todas as forças da criação.”
Essa frase diz tudo. O estresse não vem da vida — vem da nossa resistência à vida.
Não deixe o seu sistema nervoso desregulado bloquear você de criar a sua versão do seu Negócio, de se mostrar de forma autêntica e de causar o impacto que você sabe que é capaz de causar.
Quanto mais regulado você fica, mais capacidade você tem de sustentar a beleza, a responsabilidade e o crescimento que os seus sonhos pedem.
É assim que a criação se torna sagrada — não porque é fácil, mas porque o seu sistema consegue se manter aberto durante o processo.
Lembre de respirar.
A sua respiração é o portal de conexão com a vida.
Ela pode separar, sinalizando que tudo é ameaça — ou pode unificar, lembrando que tudo é oportunidade.
Com amor,
Carolina
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