023: Quando Você Tem uma Justificativa pra Tudo
A linha entre um obstáculo de verdade e uma história antiga em que você se esconde
Faz algumas semanas, entrei numa call com uma pessoa que tinha dez anos de justificativas.
Ela vinha tentando construir o negócio dela havia uma década, não tinha dado certo, e ela tinha uma resposta pra cada pedaço do porquê.
✔️ Os profissionais de marketing que ela contratou falharam com ela.
✔️ O mundo inteiro funciona sob um sistema de crenças que joga contra o modelo dela.
✔️ O tipo de energia dela faz com que o marketing tradicional não funcione pra ela.
✔️ Ela tem problemas de saúde.
✔️ As pessoas não a convidam pra dentro por causa das opiniões fortes dela.
Cada motivo era real pra ela. E cada motivo morava em algum lugar fora dela.
Em alguns momentos da conversa, eu perguntei pra ela, de formas diferentes, qual era a parte dela em tudo aquilo. Onde, do lado dela, a dificuldade podia estar. Ela não conseguia responder. Ela sempre voltava pra quem tinha trabalhado com ela, ou pro que o mercado não fazia por ela. No fim, encerrei a ligação, porque não tinha nada que eu pudesse fazer ali.
Não dá pra ajudar alguém que colocou a causa inteira das próprias circunstâncias de vida fora do próprio alcance.
Não tô te contando isso pra dizer que ela tá errada. Tô te contando porque eu reconheci aquilo. Eu já fiz isso na minha própria vida. Todo mundo já fez.
Isso aponta pra ideia que eu realmente quero falar aqui: você é 100% responsável pela sua vida.
E é assim que costuma acontecer quando as pessoas escutam isso. Os ombros sobem. Elas ficam na defensiva. Aquilo cai como um peso.
Se tá tudo nas minhas mãos, então é melhor eu ser perfeito.
Se tá tudo nas minhas mãos, onde entra a graça, onde entra o divino, será que eu tô sozinho aqui fazendo tudo acontecer?
A Carolina Wilke deu uma aula de embodiment sobre isso outro dia, na nossa comunidade Radiant Flow, e viu uma sala cheia de gente capaz sentir exatamente esse peso no segundo em que a frase apareceu.
Então deixa eu tirar esse peso primeiro, porque eu acredito que esse peso é um grande mal-entendido.
Responsabilidade não é uma nota. Não é uma pontuação em que você perde pontos. A palavra, se você desacelerar e olhar pra ela, vem de responder. Capaz de responder.
A capacidade de responder.
E o oposto disso não é o fracasso. É a reação.
Uma reação precisa de um passado pra existir. A gente reage rodando um padrão que já tem. Algo acontece e, antes mesmo da gente encontrar aquilo de verdade, a velha história dispara na nossa cabeça e lá vamos nós: defendendo, explicando, culpando e nos encolhendo.
Era isso que a pessoa na ligação comigo vinha fazendo havia dez anos. Ela não estava respondendo ao negócio dela. Ela estava reagindo a uma história recorrente sobre por que aquilo não podia dar certo, e a história era blindada, e histórias blindadas não abrem espaço pra novos resultados.
Existem dois tipos de reação.
Uma é a óbvia: o surto, ficar frio, perder a cabeça, essas coisas que a gente já chama de reativas.
A mais sutil é a que realmente leva a maioria dos negócios pro buraco.
É toda ação inconsciente que não está alinhada com onde você diz que quer chegar. Você diz que quer o negócio online, mas aí coloca o cliente novo no antigo modelo presencial, por hábito. Você diz que quer construir algo pro longo prazo, mas aí corre atrás de ganhos de curto prazo com 100% do tempo que você tem na semana. Isso também é reação.
Só não parece tão dramático quanto o primeiro tipo.
Agora vem a parte que exige honestidade, porque eu não quero que isso seja interpretado como um slogan de desenvolvimento pessoal ou de espiritualidade.
100% de responsabilidade não significa que tudo é culpa sua. Uma condição crônica é muito real. Eu vivi uma por quase uma década.
Um mercado difícil é real. Algumas pessoas carregam ventos contrários que outras não carregam. Não é que você causou tudo o que aconteceu com você no seu passado.
O ponto é que existe uma variável que você sempre controla, 100% do tempo: como você responde. E acontece que é justamente isso que mais determina o que vem a seguir na sua vida.
Você pode ter uma limitação real e ainda assim assumir a sua resposta a ela. A limitação está na sua frente. A desculpa está atrás de você, na história. Ela só continua viva se você continuar dando vida nova pra ela.
Então por que assumir isso parece pesado, se era pra ser libertador?
Porque a maioria da gente, quando vai atrás da responsabilidade, acaba pegando o controle sem querer. A gente não assume só a nossa parte. A gente tenta assumir a parte de todo mundo. A gente faz o nosso trabalho e aí faz o trabalho do outro também. A gente tenta administrar como tudo vai terminar, como as outras pessoas se sentem, e se elas vão fazer a escolha que a gente faria. Isso não é responsabilidade. Isso é controle, e isso não tem fim, e no fim das contas vai te esgotar.
A verdadeira responsabilidade de 100% é mais leve que isso, não mais pesada. É assumir o que de fato é seu e deixar as outras pessoas assumirem o que é delas. É escolher a sua resposta e depois deixar o resultado respirar. A Carolina resumiu de um jeito simples:
o poder disso não está em “eu vou fazer isso acontecer”. Está em “eu vou permitir que isso aconteça”.
É um sentido completamente diferente daquele que eu acredito que a maioria das pessoas dá. Ele responde pra onde você está indo, em vez de forçar a coisa a existir.
E isso não significa encarar tudo sozinho. Ser totalmente responsável inclui se permitir receber apoio quando ele aparece. Tem semanas em que a coisa mais responsável que você vai fazer é deixar alguém te dar uma mão.
A versão prática do que eu tô descrevendo aqui é quase constrangedoramente simples. Antes de agir, vá pra baixo da reação. Encontre o lugar dentro de você que não está rodando a velha história, e responda a partir desse lugar. Você pode colocar a mão no peito e sentir aquilo de verdade. Você pode fazer uma pergunta: onde é que eu tô reagindo agora? Não onde o mundo está errado. Onde é que eu tô rodando um padrão que não me ajuda?
Quando você se pergunta isso com honestidade, você se pega no meio do roteiro. O mercado não está bom. Eu não tenho público. Isso é difícil demais. Já era pra ser mais rápido que isso. Tudo isso é reação. Tudo isso está preso ao passado. Nada disso é uma resposta àquilo que você disse que queria construir.
A pessoa com quem eu falei naquela ligação inteira nunca chegou nessa pergunta. Ela tinha construído uma visão de mundo inteira em torno da resposta estar em outro lugar, e ela defendeu isso até o fim, e o preço de operar de dentro dessa visão é que nada nunca pode mudar.
Você não precisa morar nesse lugar. Você pode responder. Esse é o convite inteiro da responsabilidade de 100%, e ele não é um fardo. Pode ser a coisa mais leve que você vai escolher praticar o ano inteiro.
Phil (& Carolina)
Publicações que valem o seu tempo
Encontrei essa publicação essa semana e me conectei na hora… claro, pelo título: Mulheres Do Business.
Mas não foi só isso.
Quando comecei a ler, vi que se trata de alguém que vive pelo mundo e que, assim como eu, parece se encontrar nas próprias viagens.
Num lugar onde a gente não tem história, onde não carregamos peso, ganhamos a oportunidade de ser.
Ser o quê? O que a gente quiser. Onde não existe expectativa, existe espaço.
Pra viver, pra experimentar, pra ser honesto.
Viajar sempre fez parte da minha vida. E foi só há… sei lá… talvez menos de 10 anos, que me dei conta de que amo tanto viajar porque é quando consigo ficar em presença pela maior parte do meu dia.
O lindo disso é então trazer pra casa… não precisamos viajar pra ser, nem pra estar presente. Mas a gente não sabe o que não sabe, e quando criamos distância do conhecido, começamos a enxergar o que antes parecia ser lei, mas era só um jeito velho de fazer as coisas.
Vale acompanhar :)
Pronto pra ir além da leitura? O Servir & Receber é um programa de 7 dias onde a gente trabalha juntos clareza de valor, comunicação e as bases do seu negócio.
E se você fala inglês, nossa publicação Sacred Business Flow pode te interessar — é uma ótima forma de ampliar sua visão e expandir seu network fora do Brasil.



