009: O Que Tornaria Todo o Resto Desnecessário?
Uma pergunta que encerrou três anos dizendo "ainda não"
Tem uma pergunta que pode estar guiando a sua vida sem você perceber: “Qual é a melhor oportunidade?”
Essa é a pergunta errada. Ela leva a planilhas, listas de prós e contras e uma paralisia disfarçada de rigor. Você avalia doze opções. Não escolhe nenhuma. Ou escolhe três e faz todas mal feitas.
Existe uma pergunta melhor: “O que tornaria todo o resto desnecessário?”
Um compromisso tão claro que as cem decisões menores se respondem sozinhas. Não “o que é ótimo”, mas “o que mudaria quem eu preciso me tornar?”
Para Carolina e para mim, a resposta acabou sendo um evento que a gente vinha evitando há três anos.
A Versão Curta
A gente vai realizar um encontro para 500 criadores do Substack em Montreal, em setembro de 2027. Quatro dias. Manhãs num teatro histórico ouvindo histórias de pessoas que construíram audiências e ofertas de forma pública. Tardes pela cidade, que vira o palco: encontros auto-organizados em cafés e parques.
Sem patrocinadores corporativos. Sem painéis. Sem aquela cultura de crachá e brindes.
A gente vem falando disso publicamente há uma semana. Mas percebi que ainda não tinha compartilhado com essa comunidade o porquê isso importa. Então aqui vai.
Por Que a Gente Ficou Dizendo “Ainda Não”
Carolina ama retiros. Eu passei o início dos meus vinte anos trabalhando numa empresa de produção de eventos, perto o suficiente de shows com mais de 50 mil pessoas para sentir o que acontece quando tanta gente se reúne num mesmo lugar.
A gente sempre soube que eventos fariam parte do Sacred Business Flow em algum momento. Mas também sabia que ainda não estava pronto. O negócio precisava de estabilidade primeiro. A comunidade precisava de tempo. A metodologia precisava se provar.
Então guardamos a ideia. Por quase três anos, toda vez que o assunto voltava: “Ainda não.”
O Que Mudou
Aquela pergunta que mencionei: “O que tornaria todo o resto desnecessário?”
Quando a gente disse sim para criar o Substack Unconference, uma certa clareza apareceu. Não porque seja a única coisa que a gente está fazendo. Mas porque um compromisso desse tamanho te força a ser honesto sobre o que realmente importa e o que é só ruído.
Algumas decisões ficaram mais simples. Algumas distrações perderam a força. Quando você sabe para onde uma grande parte da sua energia criativa vai, você para de dar atenção para cada oportunidade brilhante que aparece na sua frente.
A segunda pergunta foi mais simples: “O que parece um desafio de verdade?”
Não sei como a gente vai trazer 500 pessoas para Montreal. Ainda não. E esse é justamente o ponto. O objetivo não é só realizar um evento. É nos tornarmos as pessoas capazes de realizar esse evento. Seu negócio é um recipiente para o seu crescimento. O nosso não é diferente.
Três Fios Que Se Alinharam
Primeiro: o momento. O Substack me lembra a onda dos blogs em 2006 e 2007. Mesmo clima: pessoas publicando nos blogs umas das outras, se promovendo mutuamente, construindo audiências juntas. Daquela época surgiu o World Domination Summit, um evento que durou mais de uma década e moldou como toda uma geração de criadores online pensava sobre se reunir presencialmente.
Segundo: os valores. Tudo o que a gente ensina volta para isso: a estrutura sustenta a essência, e não o contrário. Alinhamento interno gera resultados externos. Você não constrói um negócio se forçando a entrar no molde de outra pessoa. Você constrói honrando quem você realmente é e depois criando sistemas que servem a isso.
A gente está construindo esse evento da mesma forma. A gente quer fazer isso. E isso é permitido. Depois a gente envolve estrutura nesse querer. A gente está praticando o que acredita.
Terceiro: o que está acontecendo com a IA. Tenho visto ela melhorar em tudo que eu faço online. Mas ela não consegue melhorar em estar numa sala comigo. E é aí que eu quero colocar minhas fichas. Comunidade presencial ainda é difícil de falsificar. Por enquanto, isso já basta.
Esses três fios se alinharam. Então a gente está em movimento.
O Que Isso Tem a Ver Com Você
Você provavelmente já sentiu um tipo específico de solidão que é difícil de explicar.
Você já esteve em programas de negócios onde ninguém falava sobre energia, alinhamento, ou como realmente é a sensação de construir algo que importa pra você. Já esteve em espaços espirituais onde ninguém falava sobre dinheiro, sistemas, ou como de verdade colocar o seu trabalho na frente das pessoas. Você vem procurando uma sala onde os dois são bem-vindos.
Essa é essa sala.
O palco principal vai acontecer por algumas horas toda manhã. Histórias de empreendedores e criadores, incluindo as partes que não saíram como planejado.
O que realmente importa acontece nas tardes. Encontros auto-organizados pela cidade. Você pode facilitar uma sessão. Porque você também está construindo algo, e esse é o seu palco.
O ambiente vai favorecer que estranhos se tornem colaboradores, com palestrantes e participantes se misturando sem distinção.
Eu vivi isso na pele num evento chamado Good Life Project, um evento do Jonathan Fields. Grandes nomes sentados ao lado de iniciantes. Sem área VIP. Todo mundo contribuía. Todo mundo pertencia. Saí daquele evento sabendo: se um dia eu fosse criar um encontro, seria assim.
O Que Isso Tem a Ver Com Você
Às vezes existe uma coisa — normalmente a que mais te deixa desconfortável — que tornaria todas as outras pequenas coisas que você faz completamente desnecessárias.
Não a décima parceria. Não o décimo conteúdo. Não a décima estratégia testada.
Aquela uma coisa.
Sabe aquela pessoa que você admira mas nunca contactou porque achou que era grande demais para você? Aquela empresa que você descartou antes mesmo de tentar porque sentiu que não estava pronto? Aquela colaboração que fica na sua cabeça mas permanece como ideia porque o medo fala mais alto?
É exatamente aí que o fluxo está esperando por você.
Porque a questão nunca é se você está pronto. A questão é: quem você precisaria se tornar para dar esse passo? E o que essa única decisão abriria no seu negócio — e em você — que mil decisões menores nunca abrirão?
Então deixo você com a mesma pergunta que mudou tudo pra gente:
O que tornaria todo o resto desnecessário?
Não o que é seguro. Não o que parece razoável. O que é real, mesmo que assuste.
Pensa nisso.
com amor,
Phil



