003: Sempre sonhei em ser minha própria chefe
até perceber que eu era péssima nisso
Provavelmente uns seis meses a um ano depois que percebi que eu saí do meu trabalho formal que eu percebi que estava usando o mesmo manual corporativo, sem nem estar no corporativo.
Eu estava correndo de manhã, correndo com minha filha, porque às 8h30 eu precisava estar na frente da tela trabalhando.
Naqueles primeiros dias, a maior parte do que eu fazia era tentar encontrar as palavras certas pra explicar o que eu estava fazendo.
Decidi organizar workshops e convidar amigos pra ouvir o que eu tinha pra compartilhar.
Então eu passava tempo na frente do computador trabalhando nisso. Saía pra caminhar mais tempo pra pensar. E no final do dia não sentia que tinha feito muita coisa.
Clarear minha mensagem não era tarefa suficiente.
Não tinha um resultado claro que eu pudesse mostrar pra alguém e dizer “foi isso que eu fiz”. Era mais um processo.
Mesma coisa com os workshops.
Como tudo ainda estava nascendo, muito do meu tempo ia pra explorar ângulos, estudar o que poderia ser útil pra as pessoas ouvirem que as ajudaria a ver se o que eu tinha pra oferecer serviria pra elas.
Mas o workshop também não estava pronto pra apresentar no final do meu dia de trabalho, bem diferente de todas as coisas que eu conseguia fazer no meu emprego anterior.
Caminhar na natureza pra mim não fazia parte de trabalhar. Era caminhar na natureza, mesmo que eu estivesse pensando no meu trabalho.
Levei anos pra perceber o quanto eu estava sendo produtiva nessas caminhadas, mas de um jeito diferente de ser produtiva.
Outro desafio: eu não estava encontrando coisas pra fazer por oito horas seguidas na frente do computador, então na minha cabeça eu estava procrastinando.
Trabalhar significava sentar por 8 horas e fazer coisas!
Trabalho nunca foi sobre ser.
Minha mente mandona estava me dizendo: “você deveria conseguir colocar seu site no ar em oito horas, por que demora tanto? Por que você fica reescrevendo sua intro desse workshop? Só faz …anda… vai logo.”
Minhas manhãs corridas também eram eu sendo aquela chefe durona que pede pra você sentar na sua cadeira por oito horas porque é isso que as empresas exigem de você, mesmo que você não tenha coisas pra fazer no computador.
Criar seu próprio negócio exige uma relação diferente com a criatividade da qual eu não tinha consciência.
Até que uma manhã acordei e tive esse pensamento:
que merda, que que eu tô fazendo? Por que eu tô replicando exatamente as coisas das quais eu estava tentando fugir?
Eu estava tão condicionada e tão desconectada da minha própria criatividade que tinha perdido a capacidade de criar e escolher diferente.
Eu estava só repetindo padrões antigos.
Ser produtiva significava exclusivamente fazer as coisas, ter algo pra mostrar pelo meu tempo, check the box.
Mas tem outro jeito de ser produtiva.
É aquele tipo onde você age, depois dá um passo pra trás pra clarear. Onde você conversa com as pessoas e sua mensagem fica mais afiada. Onde você reescreve a intro do seu workshop pela décima vez porque cada versão revela o que você está realmente tentando dizer.
Onde você faz trabalho voluntário pra praticar estar na identidade de alguém com uma oferta real. Onde você encontra lugares pra se expor e expor seu trabalho, mesmo quando ainda não está totalmente formado.
Esse tipo de produtividade não te dá uma tarefa feita no final do dia.
Te dá clareza. Mas eu não conseguia ver isso. Tudo que eu via era que eu não tinha oito horas de tarefas pra marcar como concluídas.
Na minha cabeça, nada do que eu estava fazendo era trabalho de verdade. E a chefinha seguia me criticando.
E quando eu sentava na frente do computador, era incrivelmente frustrante não ter oito horas de coisas pra fazer.
Olha que louco: meu último chefe no meu antigo emprego era mais gentil comigo do que eu estava sendo comigo mesma. Eu tinha saído pra ir atrás de coisas que eram importantes pra mim e ter mais liberdade.
Mas eu simplesmente trouxe comigo as partes de mim que tinham me mantido numa gaiola o tempo todo.
Ler o artigo da Veronica Llorca-Smith "Being Your Own Boss Doesn't Make You A Good One" essa semana me inspirou a escrever esse texto e refletir sobre o quanto eu evoluí.
Ela diz: “somos frequentemente mais duras com a gente mesma do que somos com os outros e operamos de formas que não poderíamos pedir da nossa equipe.”
Isso era tão verdade na minha própria realidade.
O papo interno era duro e porque a gente não fala isso em voz alta, se torna aceitável, o nível de crítica e pressão que a gente coloca em si mesma.
Ao longo dos anos, estou me tornando uma chefe melhor pra mim mesma. Mas mais do que isso, estou evoluindo pra não precisar mais ser uma chefe. Estou evoluindo minha relação comigo mesma, com controle, e com meu negócio.
Através do trabalho que a gente faz (coloquei aqui o nosso questionário sobre as frequências fundamentais de um negócio - só em inglês por enquanto) , cresci tanto na frequência de Servir que a chefe que eu precisava no começo é cada vez menos necessária.
Nossas estruturas continuam evoluindo, mas nesse ponto disciplina evoluiu pra devoção e estrutura permitiu meu fluxo com foco.
Servir é encontrar o que está na sua frente com menos julgamento ou opinião sobre como as coisas deveriam ser. É aparecer pro que realmente está aqui ao invés de forçar o que eu acho que deveria acontecer.
A energia de devoção num negócio é poderosa.
Aquele sentimento de “não quero postar, não quero ser vista” não importa mais de verdade. As opiniões sobre postar consistentemente, compartilhar autenticamente, cometer erros... não é pesado. Não tem poder sobre mim.
Caminhar na natureza pensando em Servir, faz parte da estratégia…
Eu estou servindo e fazendo o que esta sendo pedido de mim, mesmo que não seja 8 horas no computador me sinto produtiva e cada vez mais criativa.
E quando você realmente serve, você não precisa de uma mente mandona te criticando pra fazer mais, porque você simplesmente faz por amor.
Não é que a chefe ruim está completamente demitida.
Ela aparece de vez em quando.
Mas quanto mais eu me inclino pra servir e tenho a estrutura certa no lugar, mais tenho espaço pra me entregar. E nessa entrega, a ação acontece.
Talvez um dia a chefe durona desapareça completamente, quem sabe. Estou conectada com essa possibilidade.
O que mais me ajudou não é um sistema perfeito. É lembrar que esse trabalho não é sobre controle. É sobre permitir que o que quer emergir, emerja.
Pequenas coisas me ancoram de volta nisso. Acender uma vela ou incenso antes de trabalhar e pedir orientação. Não porque é produtivo, mas porque me lembra que não estou fazendo isso sozinha. Até tarefas simples como emails, a organização inicial do meu dia que poderiam parecer menos sagradas, têm um toque do divino nelas agora.
Isso me ajuda a abordar meu dia com presença e alegria.
E sim, minha semana é muito bem estruturada.
Mas agora essa estrutura serve algo diferente. Ela cria tempo ininterrupto pra criatividade. Espaço pra pausar e escutar. Lugar pra ideias amadurecerem sem forçá-las.
Quando uma inspiração vem, não preciso largar tudo e correr atrás dela. Tenho espaço na minha semana onde ela pode pousar. E se eu não estou pronta pra agir sobre ela hoje, tudo bem também. Posso revisitar depois.
A estrutura me segura então eu não preciso agarrar tão forte.
Essa é a mudança.
Ser uma chefe significava controlar resultados. Estar a serviço significa criar condições pro negócio fluir através de mim.
Eu não preciso descobrir tudo sozinha. Só preciso honrar as ideias, as faíscas, os sussurros que vêm.
Empreender exige um nível de comprometimento que é diferente do corporativo. Você é responsável pelo seu próprio sucesso, e esse peso pode levar à rigidez em como você se trata.
Mas e se a gente está fazendo a pergunta errada?
Isso é sobre reconhecer sua relação consigo mesma...
Como é o papo interno?
Você deixaria alguém falar com sua equipe desse jeito? Mas por que então você fala com você mesmo?
Você aceitaria esse tipo de pressão de qualquer outra pessoa? Você faria isso com os outros?
O que começou como obrigação e comprometimento e “eu tenho que” se tornou “eu quero” e isso é tão divertido.
Essa é a evolução que eu não sabia que precisava.
Então eu me pergunto: que tipo de chefe você está sendo pra você mesmo agora? E como seria servir seu negócio ao invés de tentar controlá-lo?
Com Amor,
Carolina
Quer construir um negócio que flui?
Semanalmente: estratégia, mindset e uma forma mais leve de empreender.




Amei o texto. Vai de encontro ao que estou buscando, sair de um piloto automático como se estivesse no mundo corporativo há 40 anos. Gostei também do termo SERVIR, pois vai ao encontro de algo leve e profundo do que viemos fazer no mundo. Agora quero responder ao questionário. Obrigada! Ah! O seu texto também me encantou por ser a sua experiência, ser verdade... Isso é inspirador.